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A Parábola do Bom Samaritano
Amor ao Próximo

A Parábola do Bom Samaritano

Um homem ferido na estrada foi ignorado pelo sacerdote e pelo levita, mas socorrido por um samaritano — o inimigo étnico e religioso. Jesus redefiniu quem é o próximo: qualquer um que tem necessidade diante de você.

Irmão Edson Santos
Escrito por Irmão Edson Santos Professor e pesquisador das Escrituras
30/07/2026

A Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10.25-37) nasceu de uma pergunta capciosa de um doutor da Lei que queria justificar a si mesmo: "E quem é o meu próximo?" (Lc 10.29). Jesus respondeu com uma história que virou a pergunta de cabeça para baixo — e dois mil anos depois, o "bom samaritano" tornou-se o símbolo universal do socorro desinteressado ao sofrimento humano.

O Contexto: A Pergunta da Justificação

Um doutor da Lei perguntou a Jesus o que devia fazer para herdar a vida eterna. Jesus devolveu a pergunta: o que está escrito na Lei? O homem respondeu corretamente com o duplo mandamento — amar a Deus e ao próximo. Jesus o elogiou: "Fizeste isso e viverás." Mas o doutor, "querendo justificar-se" (Lc 10.29), fez a segunda pergunta: "E quem é o meu próximo?" A intenção era limitar a obrigação — definir quem estava dentro do círculo de responsabilidade moral para saber quem poderia ser excluído.

Os Três que Passaram

Um homem desceu de Jerusalém para Jericó — o caminho descia 1.000 metros em 27 km, passando por desfiladeiros onde assaltantes se escondiam. Foi despojado, espancado e deixado meio morto na estrada. Três pessoas passaram. A primeira foi um sacerdote — o mais alto representante da religião oficial. Ao ver o homem, passou pelo lado oposto. A segunda foi um levita — assistente do sacerdote, igualmente comprometido com o serviço religioso. Viu e passou pelo lado oposto.

As razões possíveis dos dois são tema de debate: poderiam contaminar-se tocando um cadáver (se o homem estivesse morto), tornando-se inaptos para o serviço no Templo; poderiam temer uma emboscada; poderiam simplesmente não querer envolver-se. O texto não explica — e a ausência de explicação é deliberada. Jesus não queria que os ouvintes encontrassem desculpas para o comportamento dos dois.

O Samaritano

Para os ouvintes judeus de Jesus, a palavra "samaritano" era praticamente um insulto. Os samaritanos eram considerados meio-pagãos, hereges que haviam misturado a fé israelita com práticas estrangeiras. Havia séculos de hostilidade mútua. O ouvinte judeu esperaria que o herói da história fosse um israelita comum — o contraste com o sacerdote e o levita. Receber o samaritano como herói foi um choque intencional.

O samaritano "ao vê-lo, compadeceu-se dele" (Lc 10.33). A palavra grega para compaixão — esplagchnizomai — é a mesma usada quando Jesus se compadece das multidões e quando o pai do filho pródigo corre. É a compaixão visceral, interna, que gera ação imediata. O samaritano: chegou perto, fez curativos, colocou o ferido no próprio animal, levou à hospedaria, tomou conta, pagou ao hospedeiro e prometeu pagar mais se necessário. Sete ações concretas de cuidado.

A Pergunta Invertida

Ao final, Jesus perguntou ao doutor da Lei: "Qual destes três te parece que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" (Lc 10.36). A pergunta é diferente da que o doutor havia feito. Ele perguntara "quem é meu próximo?" — querendo uma lista de candidatos a receber sua ajuda. Jesus perguntou "quem foi o próximo?" — centrando na atitude de quem dá, não numa categoria de quem recebe.

O doutor não conseguiu nem pronunciar a palavra "samaritano": respondeu "Aquele que usou de misericórdia para com ele." E Jesus concluiu: "Vai e faz da mesma forma." A resposta à pergunta "quem é meu próximo?" não é uma definição — é uma instrução: vai e sê próximo. A pergunta errada recebeu a resposta certa.

O Legado Cultural

A influência dessa parábola na cultura ocidental é imensa. Hospitais "Bom Samaritano" existem em dezenas de países. Leis do "bom samaritano" protegem quem presta socorro de responsabilidade legal em muitas jurisdições. O termo "samaritano" tornou-se sinônimo de socorro desinteressado em dezenas de idiomas. Uma parábola de duas páginas moldou legislação, hospitais, organizações de ajuda e o vocabulário moral de civilizações inteiras.

Para Jesus, a resposta à pergunta "o que devo fazer para herdar a vida eterna?" era idêntica à resposta para "como viver bem?": amar Deus completamente e ser próximo de qualquer ser humano que cruzar seu caminho com necessidade — especialmente o improvável, o estranho, o inimigo. O samaritano não perguntou se o homem ferido merecia ajuda, se pertencia ao grupo certo, se retribuiria o favor. Viu. Compadeceu-se. Agiu. Esse é o próximo.

O Bom Samaritano revela que o amor cristao nao espera circunstancias ideais. O samaritano estava em viagem, tinha destino proprio, tinha custos imprevistos. O amor ao proximo nao e conveniente — ele interrompe o roteiro. E exatamente essa interrupcao que Jesus descreve como cumprimento da Lei. A lei do amor nao e cumprida no templo, mas na estrada — quando alguem para, quando alguem paga, quando alguem promete voltar. O legado do Bom Samaritano inspirou hospitais, leis de protecao ao socorrista e organizacoes humanitarias em dezenas de paises. Poucas palavras de Jesus mudaram tanto o vocabulario moral da civilizacao.

Irmão Edson Santos

Irmão Edson Santos

Professor de Língua Inglesa e pesquisador das Escrituras, com anos de dedicação ao estudo bíblico e ao ensino da fé cristã.

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